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Pertencer é também o sentido do olhar*

 

Quando pensei no tema belonging, pertencer, eu não consegui fugir de acordar aquelas experiências que eu tive na Havana. Num mundo como o mundo cubano, onde se supõe que muitas coisas sentidas não possam ser ditas, existe arte que diz muita coisa. Há arte por todo lado, em todos os cantos; além disso, a Havana é uma cidade que está se destruindo. Isto que eu fiz está inspirado nas fotografias que eu tirei em Cuba e também na arte doutros artistas cubanos que eu estudei.

 

As coisas que eu vejo aí tem a ver com o passado, representado pela velhinha, que olha para uma história que não existe mais, como tudo o que é passado. Ela já não tem nenhuma conexão com a realidade atual. Essa geração lutou pela revolução, no entanto ficou completamente desiludida com o presente, o resultado dela, e está obcecada com a lembrança e a nostalgia do que Cuba foi no passado. Ela está envolvida pelo sonho da cidade, embora esse sonho seja uma ilusão. As representações dos deuses e dos espíritos ioruba, que são uma parte muito representativa e até esencial da identidade cubana, foram ignoradas e rejeitadas pela geração da velhinha. No entanto, ela é mais cinza, ela não aceita a realidade de Cuba.

 

A mulher do outro lado é a mulher cubana de agora. Essa geração ignora completamente e nem dá importância ao que foi Cuba no passado que é idealizado pela velhinha. Essa mulher nunca viveu o passado, só aquilo que aconteceu após a revolução, as carências e a mudança cultural. O que eu experimentei dessa geração é que também estão desligados de Cuba e que estão apenas sobrevivendo. Eles vivem e experimentam uma existência desiludida. A sua camiseta tem também um símbolo de alguma corporação estrangeira, porque eu acredito que são pessoas que olham para o exterior e que só querem ter coisas, dinheiro, oportunidades, comêrcio embora seja duma maneira exploradora. Eles carecem desse sentido de pertença a Cuba, como aquele que a velhinha tem.

 

No centro de tudo está o menino. Esse menino está recebendo alguma coisa que tem luz, de uma personagem que para mim é Belkis Ayón. Eu acho que a sua vida e a sua arte são representativos do que aconteceu com essa geração, sua arte usa a representação religiosa para falar daquilo que é sentir-se cubano, sentir-se parte da ilha e, ela, para mim, representa o espírito de pertença. Ela lhe está oferecendo a oportunidade a essa nova geração, cujo futuro desconhecemos, para se reapropriar de Cuba e, talvez, nesse futuro, integrar as coisas belas do seu país além de incluir aquilo que é ser latinoamericano, caribenho, ser uma pessoa que tem história, como todos nós, de multiculturalismo, de exploração, de colonialismo. Ela está oferecendo esse presente para o menino e queremos ver o que esse menino vai fazer com ele. Porque essa criança está aceitando inocentemente esse presente, sem saber o que é.


 

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No. 6. Outono 2014 (1,0 MB)

 

Herencia

 

* Pedimos para Blanca Catalina García que nos fizesse a capa da revista e que nos falasse um bocado da sua interpretação. Original em espanhol. Traduzido por Jara M. Ríos.

 

Blanca Catalina García nasceu no Chile e viveu e cresceu tanto nos Estados Unidos e Chile. Ela gosta de tudo artístico: moda, fotografia, cultura. Você pode encontrá-la em http://web.stagram.com/n/blancacata.

 

 

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